Oração do Pai-Nosso: Um Olhar Espírita
Ao orar, estabelecemos uma conexão profunda com Deus, nosso Pai Criador, com os Espíritos Elevados e os Benfeitores Espirituais. Nesse ato, mobilizamos nossos pensamentos, sentimentos e energias, criando um intercâmbio com as Esferas Superiores. Através da oração, elevamos nosso padrão vibratório, permitindo que nos harmonizemos internamente e nos fortaleçamos para enfrentar os desafios da vida.
Segundo Divaldo Franco, “a prece faculta uma imediata mudança de comportamento, em razão das energias que a constituem, acalmando interiormente e predispondo à luta do autocrescimento” (FRANCO, 2000, p. 221). Quando rogamos a Deus por nossos irmãos, emitimos pensamentos e sentimentos que não apenas nos conectam com os Espíritos Elevados, mas também envolvem nossos irmãos em vibrações amorosas que podem ajudá-los a enfrentar os momentos difíceis. Jesus nos ensinou que devemos orar uns pelos outros, promovendo a solidariedade e a comunhão com Deus (FRANCO, 2000, p. 170).
A Oração do Pai-Nosso
A Oração do Pai-Nosso, ensinada por Jesus, é considerada “o mais perfeito modelo de concisão, uma verdadeira obra-prima de sublimidade na simplicidade”. Ela resume todos os deveres do homem para com Deus, consigo mesmo e com o próximo (KARDEC, 2023, p. 301). Vamos refletir sobre essa oração tão significativa:
“Pai-Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu.”
Iniciamos a oração reconhecendo nossa Paternidade Divina, dirigindo-nos a Deus, Onipresente, Criador do Universo. Este momento é de reverência, pois “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas” (KARDEC, 2022, p. 47).
“Venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu.”
Ao refletirmos sobre a realeza moral, devemos cultivar valores espirituais diariamente. Pedimos que o Reino de Deus se instale em nosso interior, refletindo em nossas ações e expandindo a fraternidade e a caridade. Reconhecemos a Soberania e a Sabedoria da Vontade de Deus, que rege a vida com as Leis Divinas, tanto no plano terreno quanto no espiritual. À medida que evoluímos como Espíritos Imortais, nos aproximamos do Reino de Deus.
“O pão nosso de cada dia nos dai hoje.”
Essa parte da oração nos convida a refletir sobre os verdadeiros valores da vida. Compreendemos a importância de cuidar do corpo e do espírito, identificando apegos que precisamos superar. Allan Kardec, em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, esclarece que “do que então, ele é proprietário? Nada do que é de uso do corpo; tudo que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos e as qualidades morais. Isso o que ele traz e leva consigo” (KARDEC, 2023, p. 202).
“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.”
Reconhecemos nossas falhas e a necessidade de retificação, assim como a importância de perdoar os erros de nossos irmãos. “O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma e, em seguida, para com os outros” (KARDEC, 2023, p. 216). Nossas dívidas surgem do egoísmo e do orgulho, gerando compromissos negativos com Deus, nossa consciência e o próximo. É essencial desenvolver a autorresponsabilidade e o autoperdão, promovendo a tolerância, a compreensão e o perdão aos nossos semelhantes. Cultivar sentimentos positivos ajuda a suavizar a reatividade em nossas ações, praticando “benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições dos outros e perdão das ofensas” (KARDEC, 2023, p. 350).
“E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.”
Nesta parte, reconhecemos nossa falibilidade e, com humildade, pedimos a ajuda de Deus para não nos deixarmos levar pelo mal que ainda habita em nós, especialmente as expressões do egoísmo, que são a raiz de todo o mal. A oração, quando praticada diariamente, é um poderoso recurso que nos alinha com as Leis Divinas. Ao orarmos o Pai-Nosso, nos conectamos profundamente com a Fonte Divina da vida, sintonizando energias sublimes e encontrando sustentação espiritual. Isso nos permite desenvolver gradativamente as características do homem de bem, expandindo a Centelha Divina que somos e cumprindo a Vontade Sábia e Soberana de Deus, que nos conduz ao Seu Reino dentro de nós.
Referências
FRANCO, Divaldo P. Jesus e o Evangelho: à luz da psicologia profunda. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 1ª. ed. Salvador. LEAL. 2000.
FRANCO, Divaldo P. Desperte e seja feliz. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 6ª. ed. Salvador. LEAL. 2000.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2023.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos, tradução de Guillon Ribeiro. Campos dos Goytacazes/RJ: Editora Letra Espírita. 2022.
