O Entusiasmo: O que Precisamos e o que nos Prejudica
O entusiasmo é um tema central no contexto espírita, onde é fundamental diferenciar o bom entusiasmo, que nos impulsiona e motiva, daquele que nos prejudica e pode nos levar a erros. Este artigo busca explorar essas nuances e a importância de um entusiasmo equilibrado no âmbito da Doutrina Espírita.
Notas Introdutórias
Historicamente, a presença de espíritas entusiastas tem sido notada tanto em grupos presenciais quanto em plataformas virtuais. Esses indivíduos, muitas vezes, expressam suas crenças de forma intensa, resultando em uma comunicação que pode gerar confusão e desinformação. A facilidade proporcionada pelas redes sociais amplifica esse fenômeno, levando a um “ruído” que pode distorcer a essência da mensagem espírita.
O Sentido Positivo do Entusiasmo
Antes de analisar o lado negativo do entusiasmo, é importante compreender seu significado positivo. O termo “entusiasmo” origina-se do grego “enthousiasmos”, que significa “ter um deus dentro de si”. Este conceito reflete a capacidade do indivíduo de demonstrar alegria, energia e paixão por causas e atividades, resultando em um alto engajamento e contágio positivo no ambiente.
Historicamente, o entusiasmo também era associado a experiências espirituais e proféticas, onde os indivíduos se sentiam impulsionados a realizar ações significativas. Esse tipo de entusiasmo é essencial para a criação e realização de tarefas, levando a um sentimento de júbilo e satisfação quando se alcançam objetivos. Assim, o bom entusiasmo é uma qualidade que se liga ao otimismo e à capacidade de envolver-se intensamente nas mais diversas áreas da vida.
O Entusiasmo Negativo
Por outro lado, existe o entusiasmo negativo, que se distancia de suas conotações originais e pode gerar problemas significativos. A expressão “adeptos muito entusiasmados”, popularizada por Herculano Pires, alerta para os riscos desse comportamento. Kardec, em sua obra “O que é o Espiritismo”, já havia enfatizado que os entusiastas exaltados podem ser os piores propagandistas, pois aceitam ideias sem a devida reflexão crítica.
Esses indivíduos frequentemente veem o Espiritismo em tudo e buscam justificar suas crenças de forma desproporcional, o que pode levar a interpretações errôneas e distorcidas da Doutrina. A aceitação sem exame crítico e a falta de um entendimento profundo das Leis Espirituais podem comprometer a integridade da filosofia espírita.
A Advertência de Allan Kardec
Kardec nos adverte que o entusiasmo pode cegar o espírito crítico, tornando o indivíduo vulnerável a ilusões e mistificações. Para evitar isso, ele sugere que o espírita culto deve observar tudo com calma e discernimento, evitando ser manipulado por ideias infundadas. Essa recomendação é crucial, pois a responsabilidade em examinar o caráter das pessoas e a veracidade das informações é um aspecto fundamental do estudo espírita.
O Que Podemos Fazer?
Para cultivar um entusiasmo saudável, é essencial que os espíritas se dediquem ao estudo contínuo e ao aprofundamento do conhecimento. O diálogo construtivo e a troca de ideias são fundamentais para evitar que o entusiasmo se transforme em fanatismo ou em adesão a teorias sem embasamento.
A Importância da Vigilância
Além do estudo, a vigilância contra a credulidade excessiva e a aceitação de “novidades” sem critério é necessária. Historicamente, Herculano Pires ressaltou que a falta de conhecimento e a busca por novidades podem levar a distorções na Doutrina Espírita. Portanto, é vital que os espíritas se mantenham informados e críticos, evitando a introdução de ideias que não estejam alinhadas com os princípios kardecianos.
Conclusão
O entusiasmo é um elemento poderoso na vida espírita, mas deve ser sempre moderado e orientado pelo conhecimento e pela responsabilidade. Ao distinguir o bom entusiasmo daquele que nos prejudica, os espíritas podem trabalhar para a promoção de uma Doutrina mais sólida e verdadeira, alinhada com os ensinamentos de Allan Kardec e com a verdadeira essência do Espiritismo.
Referências
- Kardec, A. (2011). “O que é Espiritismo”. São Paulo: LAKE.
- Pires, J. H. (1992). “O Mistério do Bem e do Mal: Lições de Espiritismo”. São Paulo: Correio Fraterno do ABC.
- Pires, J. H. (1996). “O mistério do ser ante a dor e a morte: uma visão atual da problemática existencial à luz da Filosofia, da Religião e da Ciência”. São Paulo: Paideia.
